domingo, 29 de janeiro de 2012

Santo Agostinho e os Mundos Regeneradores


Santo Agostinho por Caravaggio

16. Entre as estrelas que cintilam na abóbada azul do firmamento, quantos mundos não haverá como o vosso, destinados pelo Senhor à expiação e à provação! Mas, também os há mais miseráveis e melhores, como os há de transição, que se podem denominar de regeneradores. Cada turbilhão planetário, a deslocar-se no espaço em torno de um centro comum, arrasta consigo seus mundos primitivos, de exí1io, de provas, de regeneração e de felicidade. Já se vos há falado de mundos onde a alma recém-nascida é colocada, quando ainda ignorante do bem e do mal, mas com a possibilidade de caminhar para Deus, senhora de si mesma, na posse do livre-arbítrio. Já também se vos revelou de que amplas faculdades é dotada a alma para praticar o bem. Mas, ah! há as que sucumbem, e Deus, que não as quer aniquiladas, lhes permite irem para esses mundos onde, de encarnação em encarnação, elas se depuram, regeneram e voltam dignas da glória que lhes fora destinada.

17. Os mundos regeneradores servem de transição entre os mundos de expiação e os mundos felizes. A alma penitente encontra neles a calma e o repouso e acaba por depurar-se. Sem dúvida, em tais mundos o homem ainda se acha sujeito às leis que regem a matéria; a Humanidade experimenta as vossas sensações e desejos, mas liberta das paixões desordenadas de que sois escravos, isenta do orgulho que impõe silêncio ao coração, da inveja que a tortura, do ódio que a sufoca. Em todas as frontes, vê-se escrita a palavra amor; perfeita eqüidade preside às relações sociais, todos reconhecem Deus e tentam caminhar para Ele, cumprindo-lhe as leis. Nesses mundos, todavia, ainda não existe a felicidade perfeita, mas a aurora da felicidade. O homem lá é ainda de carne e, por isso, sujeito às vicissitudes de que libertos só se acham os seres completamente desmaterializados. Ainda tem de suportar provas, porém, sem as pungentes angústias da expiação. Comparados à Terra, esses mundos são bastante ditosos e muitos dentre vós se alegrariam de habitá-los, pois que eles representam a calma após a tempestade, a convalescença após a moléstia cruel. Contudo, menos absorvido pelas coisas materiais, o homem divisa, melhor do que vós, o futuro; compreende a existência de outros gozos prometidos pelo Senhor aos que deles se mostrem dignos, quando a morte lhes houver de novo ceifado os corpos, a fim de lhes outorgar a verdadeira vida. Então, liberta, a alma pairará acima de todos os horizontes. Não mais sentidos materiais e grosseiros; somente os sentidos de um perispírito puro e celeste, a aspirar as emanações do próprio Deus, nos aromas de amor e de caridade que do seu seio emanam.

18. Mas, ah! nesses mundos, ainda falível é o homem e o Espírito do mal não há perdido completamente o seu império. Não avançar é recuar, e, se o homem não se houver firmado bastante na senda do bem, pode recair nos mundos de expiação, onde, então, novas e mais terríveis provas o aguardam. Contemplai, pois, à noite, à hora do repouso e da prece, a abóbada azulada e, das inúmeras esferas que brilham sobre as vossas cabeças, indagai de vós mesmos quais as que conduzem a Deus e pedi-lhe que um mundo regenerador vos abra seu seio, após a expiação na Terra. – Santo Agostinho. (Paris, 1862.)

ALLAN KARDEC. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. Cap. III - Há muitas moradas na casa de meu pai.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Poeta Herlen Lima: A Era Nova


Em meio à escravidão no antigo Egito,
Surge um enviado do “Deus Divino”
Era Móises, o grande legislador,
Que veio mudar o destino dos hebreus sofridos,
E revelar também aos povos pagãos
A existência de um deus único;
“O destruidor dos iníquios”...
Séculos depois,
Na Jerusalém desolada pela guerra,
Termina a grande espera.
Contempla-se a Jesus;
Que fora previsto pelos profetas,
Como o libertador da prometida Terra...
Ele tinha um amor infinito,
Mas foi desprezado pelos seus
Sendo levado à cruz do martírio,
Aonde se sacrificou;
Em favor de seus amigos,
Em favor da eterna mensagem,
Do Evangelho divino,
Que prometia a vinda do consolador,
O cristianismo redivivo!...
O Cristo estava a par da situação,
Pois na França da grande Revolução
Veio o mestre Allan Kardec,
Trazer-nos grata revelação;
Foi em Paris a 18 de abril de 1857
Que raiou no velho mundo,
O alvorecer de uma era celeste...
Era o Livro dos Espíritos!
Que descia do espaço,
Das esferas do Cordeiro amado
Para conceder aos Homens a grande viagem,
Rumo aos ideais mais elevados
Com bases na razão e na caridade!

[Herlen Marinho de Lima. Poemas e flores. Brasília: Otimismo, 2010.]

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Carnaval na visão espírita (1933)


Américo Ferreira de Almeida. REFORMADOR, Carnaval, 1º de março de 1933, p. 126.


A supressão do carnaval, festa puramente pagã em uma sociedade que se diz cristã, parece impossível porque a ignorância e a inconsciência sentem prazer em aumentar a corrupção social.

O carnaval é o esquecimento dos deveres impostos pela pureza de costumes; é a perda de compostura dos seres civilizados, que procuram a ruína e a morte em dias e noites de loucuras.

Nesses dias de efêmero prazer, “a razão se turba, as paixões se despertam, todos os sentimentos nobres adormecem”; despreza-se a moral em que se funda a doutrina do Cristo.

É a época em que as pessoas se mascaram para se desmascarar, isto é, para mostrarem aquilo que realmente são: - homens e mulheres de caráter putrefato.

É, pois, um dever inalienável de todo homem que deseja ser honesto perante Deus, trabalhar por banir de nosso meio a festa que tem conduzido muitas pessoas à desgraça ou ao vício; festa contrária à moral, aos bons costumes; festa que só nos dá a prova de nossa fraqueza moral; festa que tem arruinado muitos homens, desfeito muitos lares, sacrificado muito honra, jogando as vítimas no lodaçal dos vícios.




segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Kardec e os sinais dos tempos


1. São chegados os tempos, dizem-nos de todas as partes, marcados por Deus, em que grandes acontecimentos se vão dar para regeneração da Humanidade. Em que sentido se devem entender essas palavras proféticas? Para os incrédulos, nenhuma importância têm; aos seus olhos, nada mais exprimem que uma crença pueril, sem fundamento. Para a maioria dos crentes, elas apresentam qualquer coisa de místico e de sobrenatural, parecendo-lhes prenunciadoras da subversão das leis da Natureza. São igualmente errôneas ambas essas interpretações; a primeira, porque envolve uma negação da Providência; a segunda, porque tais palavras não anunciam a perturbação das leis da Natureza, mas o cumprimento dessas leis.

2. Tudo na criação é harmonia; tudo revela uma previdência que não se desmente, nem nas menores, nem nas maiores coisas. Temos, pois, que afastar, desde logo, toda idéia de capricho, por inconciliável com a sabedoria divina. Em segundo lugar, se a nossa época esta designada para a realização de certas coisas, é que estas têm uma razão de ser na marcha do conjunto.

Isto posto, diremos que o nosso globo, como tudo o que existe, esta submetido à lei do progresso. Ele progride, fisicamente, pela transformação dos elementos que o compõem e, moralmente, pela depuração dos Espíritos encarnados e desencarnados que o povoam. Ambos esses progressos se realizam paralelamente, porquanto o melhoramento da habitação guarda relação com o do habitante. Fisicamente, o globo terráqueo há experimentado transformações que a Ciência tem comprovado e que o tornaram sucessivamente habitável por seres cada vez mais aperfeiçoados. Moralmente, a Humanidade progride pelo desenvolvimento da inteligência, do senso moral e do abrandamento dos costumes. Ao mesmo tempo que o melhoramento do globo se opera sob a ação das forças materiais, os homens para isso concorrem pelos esforços de sua inteligência. Saneiam as regiões insalubres, tornam mais fáceis as comunicações e mais produtiva a terra.

De duas maneiras se executa esse duplo progresso: uma, lenta, gradual e insensível; a outra, caracterizada por mudanças bruscas, a cada uma das quais corresponde um movimento ascensional mais rápido, que assinala, mediante impressões bem acentuadas, os períodos progressivos da Humanidade. Esses movimentos, subordinados, quanto às particularidades, ao livre-arbítrio dos homens, são, de certo modo, fatais em seu conjunto, porque estão sujeitos a leis, como os que se verificam na germinação, no crescimento e na maturidade das plantas. Por isso é que o movimento progressivo se efetua, às vezes, de modo parcial, isto é, limitado a uma raça ou a uma nação, doutras vezes, de modo geral.

O progresso da Humanidade se cumpre, pois, em virtude de uma lei. Ora, como todas as leis da Natureza são obra eterna da sabedoria e da presciência divinas, tudo o que é efeito dessas leis resulta da vontade de Deus, não de uma vontade acidental e caprichosa, mas de uma vontade imutável. Quando, por conseguinte, a Humanidade está madura para subir um degrau, pode dizer-se que são chegados os tempos marcados por Deus, como se pode dizer também que, em tal estação, eles chegam para a maturação dos frutos e sua colheita. [...]

Consulte o original em: ALLAN KARDEC. Sinais dos tempos. In: _____. A gênese. Cap. XVIII – Os tempos são chegados. Tradução de Guillon Ribeiro.  Rio de Janeiro: FEB, [s.d.].

sábado, 21 de janeiro de 2012

Trava-se a Grande Batalha


Meus filhos:

Permaneça conosco a paz do Senhor!

Vivemos o abençoado momento das definições no mundo, quando o planeta de provas e expiações, estertorando, transita para o mundo de regeneração.

Convulsões internas e desafios externos acumulam-se em toda parte.

As dores acerbas convidam as criaturas humanas, ricas de ciência e de tecnologia, às provas de amor, às reflexões profundas em torno dos objetivos essenciais da existência humana.

Anunciadas desde os dias gloriosos do Senhor entre nós, cantando as grandezas do Seu Evangelho, tornam-se realidade neste período, quando os cristãos novos são convocados às definições exaradas na Sua palavra libertadora.

É compreensível que o fato aflitivo conduza os sentimentos, algo estiolados, ao desespero, por falta de resistência moral de alguns dos encarregados da preparação da Era Nova. Nada obstante, é em momento desta natureza, que se podem avaliar os legítimos valores do caráter, da personalidade do ser interior.

O Espiritismo veio para, no momento grave das dores, consolar as almas aturdidas. Não somente, porém, para enxugar-lhes o pranto e o suor, mas principalmente para apontar-lhes a via de segurança para alcançar o objetivo libertador.

Quando o Mestre prometeu o Paracleto, asseverou que ele enxugaria as lágrimas. Entretanto, traçaria roteiros novos e apresentaria formulações desconhecidas, repetindo as lições originais, e Allan Kardec, o vaso escolhido, desincumbiu-se da nobre tarefa coroado pelo sacrifício, pela abnegação e pela entrega total.

Passaram-se mais de 150 anos desde as primeiras clarinadas de luz, e nesse período surgiram as dificuldades, os problemas humanos somados às necessidades da evolução ante o programa de iluminação de consciências.

Tendes compreendido que se torna necessária a entrega pessoal com todo amor ao trabalho de dignificação humana.

Já demonstrastes a fidelidade possível ao labor designado pelo Mestre incomparável…

Conduzindo a Terra aos sublimes páramos, permaneceis conscientes das responsabilidades que vos dizem respeito, e vindes desincumbindo-vos do compromisso com a retidão possível e, portanto, indispensável.

Permaneceis fiéis, mesmo sob as chuvas de calhaus, de infâmias e de dificuldades que se transformam em tempestades ameaçadoras...

É necessário confiar, sem que o desânimo tome conta dos vossos ideais.

Jesus confia em nós na razão direta em que nos entregamos ao Seu comando.

Se, sob um aspecto, as dores apresentam-se mais terríveis do que antes, por outro lado, a claridade do Evangelho já oferece a alegria de proporcionar a antevisão dos porvindouros dias.

Mantende a chama da fraternidade acesa nos corações a qualquer preço da verdade e do entusiasmo, a fim de que os enfraquecidos na luta retemperem o ânimo e prossigam, mesmo que tenham os joelhos desconjuntados.

Reuniões como estas devem repetir-se amiúde, para que quaisquer problemas sejam equacionados por intermédio da comunhão fraternal e do direcionamento para o Bem.

É natural que, muitas vezes, surjam divergências opinativas que se não devem constituir motivo de dissensão pessoal.

Cada criatura tem uma percepção muito especial, que lhe corresponde ao nível de evolução, e é compreensível que não veja de maneira igual aquilo que outros conseguem observar.

Somente marchando de mãos dadas pela trilha segura do Evangelho de Jesus é que conseguireis conduzir o rebanho, ainda esparramado, na direção do Pastor.

Comprometestes-vos antes do berço realizar este labor de alta magnitude para o futuro da Humanidade. Deveis, portanto, executar o trabalho avançando com toda a dedicação possível, mesmo que, muitas vezes, apresenteis a alma dorida e os sentimentos despedaçados pela injúria, pela perseguição gratuita, pelos adversários da luz...

Apresentai-O, meus filhos da alma, em toda a Sua grandeza refletiva no vosso exemplo de abnegação e de amor.

Em dia não muito distante, desfraldando ainda a bandeira da paz, podereis sorrir observando o campo de batalha, não mais juncado de cadáveres sangrando, mas de Espíritos vitoriosos sobre as paixões dissolventes, cantando a glória da imortalidade.

Que o Senhor de bênçãos vos abençoe a todos, são os votos do servidor humílimo e paternal e dos Mentores do trabalho em execução nos diferentes países que constituem o Conselho Espírita Internacional!

Muita paz, meus filhos, com todo o carinho do amigo de sempre,

Bezerra

(Mensagem psicofônica recebida pelo médium Divaldo Pereira Franco, no dia 28 de outubro de 2011, em Maia, Portugal, durante o encerramento da reunião da Coordenadoria do Conselho Espírita Internacional da Europa. Publicado originalmente em: REFORMADOR, dez. 2011, p. 35)

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Tim e Vanessa: "Aurora"



Uma grande noite abate a Terra, que se abate.
Treva imensa, não sem estrelas...
Passados milênios, um abrasamento
tisna o horizonte clareando esperança.
Prenúncio milenar do amanhecer.


Bem-vinda, Aurora
A terra sofreu noites convulsivas
Verteu lágrimas, rangeu dentes
Mas gestou-se, majestou-se
No parto regenerativo deu-se à luz
Na Remissão

Bem-vinda, Aurora
O lobo pasta junto ao cordeiro
Crianças brincam com a serpente
E os anjos andarilham
Com os homens que volitam
No amor da Promissão

Bem-vinda, Alvorada
Artefazendo o belo bom
Entreflorindo olhar
A aliança homem-Deus
Já não é só arco-íris
É comunhão

Bem-vindo, dia
Bem-vinda, Luz
Bem-vindo, dia,
Bem-vinda, Luz
Bem-vinda, Aurora,
Bem-vinda, Luz
Bem-vinda, Alvorada 


Acesse o site dos artistas: http://www.timevanessa.com.br/